O Brasil avança para se tornar um dos principais destinos globais para a instalação de data centers. O país ocupa a 11ª posição no ranking mundial, segundo o Data Center Map, e já concentra quase 80% da capacidade energética da região, segundo o relatório Latin America Data Center Market Outlook.
A projeção de mercado aponta para a operação de até 500 novos data centers em território nacional nos próximos 10 a 12 anos, segundo o diretor de Inovação da Arqia, empresa especializada em conectividade IoT (Internet das Coisas), Daniel Tibor Fuchs.
O setor, impulsionado pela alta demanda por processamento de inteligência artificial (IA) e computação em nuvem, deve movimentar cerca de US$ 3 trilhões em investimentos no mundo nos próximos cinco anos, de acordo com relatório da agência de classificação de risco Moody’s.

A posição estratégica do Brasil atrai Big Techs como Google, Microsoft e Amazon devido a dois principais fatores: a infraestrutura de conexão e a matriz elétrica.
O país é um hub de cabos submarinos que conectam a América do Sul à África, Europa e América do Norte, garantindo baixa latência no tráfego de dados. Além disso, cerca de 86% da eletricidade nacional provém de fontes renováveis, um requisito essencial para as metas de sustentabilidade dessas corporações.
Fuchs reforça a necessidade de estruturação para receber essa demanda. “O movimento evidencia a importância de um planejamento digital de longo prazo, com foco em eficiência, sustentabilidade, proteção da propriedade de dados e segurança destes dados”, afirma o executivo.

Com objetivo de estimular o setor, o Governo Federal criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos, com foco na descentralização para regiões menos atendidas.
Desafios fiscais e consumo de recursos
O crescimento acelerado da infraestrutura digital também traz debates sobre as contrapartidas exigidas pelos estados. Regiões como o Nordeste, que possuem excedente de energia renovável, tornaram-se alvos preferenciais para a instalação de data centers de hiperescala.
Uma apuração do The Intercept Brasil revelou que estados como o Rio Grande do Norte articulam legislações para conceder descontos de até 95% no ICMS para atrair essas empresas.
O ponto de atenção levantado por especialistas envolve a renúncia fiscal de recursos que custeiam serviços públicos essenciais, em troca de empreendimentos que, apesar do alto valor agregado, geram um número reduzido de empregos diretos na fase de operação.

